Nos últimos anos, o conceito de aterramento ganhou visibilidade como uma prática simples e acessível para reduzir o estresse, melhorar o bem-estar emocional e favorecer a saúde física. Esta prática, também conhecida como grounding e earthing, refere-se à prática de colocar os pés diretamente em contato com o solo — especialmente em superfícies naturais como grama, terra ou areia — para restabelecer o equilíbrio energético do corpo.
Embora o aterramento tenha raízes antigas em práticas tradicionais de diversas culturas, a ciência contemporânea passou a se interessar cada vez mais por seus potenciais benefícios. Este artigo explora o que os estudos científicos mais recentes têm revelado sobre os efeitos dessa prática na saúde física e mental, além de oferecer orientações sobre como incorporá-la em sua rotina diária.
O que é aterramento?
Aterramento, em sua definição mais básica, significa estabelecer contato direto entre o corpo humano e a superfície da Terra. Este contato pode acontecer ao caminhar descalço na grama, sentar ou deitar-se diretamente na areia, ou mesmo tocando a terra com as mãos. A prática fundamenta-se na ideia de que a Terra possui uma carga elétrica natural, e o contato direto com ela ajuda a regular as cargas elétricas do corpo humano, proporcionando equilíbrio energético e diversos benefícios físicos e emocionais.
Diversas tradições indígenas e culturas antigas valorizam o contato regular com a terra como essencial para a saúde. Atualmente, cientistas têm investigado os efeitos mensuráveis desse contato, indicando que o aterramento pode de fato influenciar positivamente o funcionamento corporal.
A base científica do aterramento
O conceito de aterramento começou a ser estudado de maneira mais sistemática há cerca de duas décadas. Pesquisas publicadas em periódicos científicos investigam como o contato direto com a terra pode alterar variáveis fisiológicas e psicológicas no corpo humano.
Um mecanismo proposto pelos pesquisadores é que a superfície terrestre oferece uma fonte natural de elétrons livres. Esses elétrons podem ser transferidos para o corpo durante o contato direto, auxiliando na redução de inflamações, equilíbrio dos níveis hormonais e regulação dos sistemas nervoso e cardiovascular.
Embora esses mecanismos ainda estejam sendo explorados, há evidências iniciais promissoras sobre a eficácia do aterramento em diferentes aspectos da saúde humana.
Para quem deseja explorar mais a literatura científica sobre o tema, há uma série de estudos disponíveis na base de dados PubMed. Pesquisas com os termos “earthing” ou “grounding” apresentam evidências iniciais sobre os efeitos fisiológicos e terapêuticos do aterramento, incluindo impacto em inflamações, sono, dor e bem-estar geral. Acesse aqui para consultar alguns estudos disponíveis.
Benefícios físicos do aterramento
Entre os benefícios mais frequentemente mencionados nas pesquisas sobre aterramento estão os relacionados à saúde física, especialmente aqueles ligados à redução da inflamação e melhora da circulação sanguínea.
Estudos publicados mostram que praticantes regulares de aterramento apresentam redução significativa dos marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa. Esse efeito anti-inflamatório pode ser particularmente benéfico para pessoas com dores crônicas, artrite ou doenças inflamatórias.
Além disso, o aterramento parece contribuir para a melhoria da circulação sanguínea. Em experimentos controlados, indivíduos submetidos a períodos regulares de aterramento apresentaram melhora visível na circulação periférica, medida através de exames de imagem térmica, especialmente nas extremidades do corpo.
Outro benefício físico notado é a melhora na qualidade do sono. Estudos sugerem que o aterramento ajuda na regulação dos ritmos circadianos e reduz os níveis de cortisol noturno, hormônio diretamente associado ao estresse e a distúrbios do sono.
Benefícios emocionais e psicológicos do aterramento
Além dos efeitos físicos, aterramento parece ter impactos significativos na saúde emocional e psicológica. Um dos principais efeitos observados em pesquisas é a redução dos níveis de ansiedade e estresse.
Pesquisadores atribuem esse efeito à capacidade da prática de aterramento em ativar o sistema nervoso parassimpático — responsável pela resposta de relaxamento e restauração do corpo. Estudos mostram que, após poucos minutos de aterramento, indivíduos experimentam redução mensurável nos níveis de cortisol e na frequência cardíaca, indicadores diretos da redução do estresse.
Outro benefício psicológico associado ao aterramento é a melhora da clareza mental e concentração. O contato direto com a natureza promove maior sensação de presença e consciência corporal, características comuns à prática de mindfulness.
Como praticar aterramento na vida cotidiana
Uma das vantagens do aterramento é sua simplicidade. Qualquer pessoa pode praticá-lo sem equipamentos ou técnicas complexas. Algumas formas acessíveis para incluir o aterramento em sua rotina diária são:
Caminhar descalço na grama ou na areia por pelo menos 10 minutos por dia. Esse tempo já é suficiente para experimentar benefícios iniciais. Para quem vive em ambientes urbanos, pode-se utilizar parques, praças ou pequenos jardins.
Sentar-se diretamente sobre o gramado, permitindo que as mãos ou os pés estejam em contato direto com o solo por alguns minutos, também é eficiente.
Quando possível, escolher ambientes naturais como praias, campos ou florestas, onde o contato com a natureza e a qualidade da experiência são potencializados.

O aterramento e suas conexões com mindfulness
O aterramento possui uma forte relação conceitual com práticas de mindfulness. Ambos enfatizam a importância da presença no momento atual e do contato consciente com o próprio corpo.
Ao praticar aterramento, a atenção plena é naturalmente estimulada, uma vez que o contato físico direto com a terra ajuda a direcionar o foco para as sensações físicas imediatas. Essa combinação entre aterramento e mindfulness pode potencializar os efeitos benéficos de ambas as práticas, proporcionando alívio emocional mais profundo e duradouro.
Precauções importantes sobre a prática de aterramento
Embora o aterramento seja considerado seguro para a maioria das pessoas, é importante considerar algumas precauções básicas. Pessoas com problemas sérios de saúde ou doenças crônicas devem sempre consultar profissionais de saúde antes de iniciar qualquer nova prática.
Outro cuidado importante refere-se à escolha dos locais de prática. É essencial garantir que a superfície utilizada para o aterramento esteja limpa, livre de resíduos, vidro ou qualquer elemento que possa causar ferimentos ou desconforto.
A importância da regularidade na prática
Como ocorre com muitas práticas ligadas ao bem-estar, a regularidade e a constância são fundamentais para experimentar plenamente os benefícios do aterramento. Uma única sessão pode trazer algum alívio imediato, mas a prática contínua tende a produzir resultados mais significativos.
Integrar o aterramento de maneira consistente na rotina diária potencializa seus efeitos na saúde física e emocional, ampliando a sensação de bem-estar geral e qualidade de vida.
Antídoto para o estresse
A prática de aterramento oferece uma abordagem simples e acessível para melhorar a saúde física e emocional, apoiada cada vez mais por evidências científicas. A conexão direta com a terra possibilita benefícios como redução da inflamação, melhoria na qualidade do sono, diminuição do estresse e uma sensação geral de equilíbrio e presença.
Em tempos de desconexão, pressa e ansiedade, o aterramento surge como um antídoto poderoso, ajudando a restabelecer a relação saudável entre corpo, mente e ambiente. Incorporar regularmente essa prática à vida diária pode ser um caminho eficiente e agradável para cuidar da saúde de forma natural e sustentável.
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